domingo, 22 de setembro de 2019
terça-feira, 17 de setembro de 2019
O PAÍS IMPOSSÍVEL
Conheça o novo livro de José C. Brandão. Poema de um tempo duro. Só a poesia para iluminar este
tempo sombrio. A estrada é nossa. Caminhemos juntos.
https://pt.calameo.com/read/00252060501625dbc7c89
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
Réquiem para Mariele
Réquiem para
Marielle
Andei
pela cidade e não vi nenhum ornitorrinco
viver
como um homem comum era o meu delírio
todos
os números são irracionais
os
homens também
uma
favelada morreu com nove tiros
e
ainda está cantando na tribuna
a
terceira guerra mundial mata primeiro os pobres
uma
criança sangra em cada esquina
Marielle
morreu exatamente às cinco da tarde
agora
descansa em paz
mas
a lápide é seca e pesa demais
domingo, 18 de agosto de 2019
A semente
Tenho uma semente na unha.
Não posso tirar,
senão a flor não nasce,
senão o beija-flor desequilibra sua dança.
Não posso tirar,
senão a flor não nasce,
senão o beija-flor desequilibra sua dança.
Gregório Vaz
sábado, 20 de julho de 2019
Este país não tem povo
foto: Barbara Klemm
Este país não tem povo
Este país não tem povo, tem
público,
disse Lima Barreto, mas ninguém
aplaudiu.
Ninguém aplaudiu Lima Barreto: é
um negro
e pobre de marré, de marré deci.
Ninguém é pobre como o pobre
daqui.
Seremos sempre pobres? Pobres
como a fome
que vão e vêm de todos os países.
Neste país os pobres são
combatidos
e se defende o direito de
propriedade.
Os direitos do povo são tortos,
é um público e tem o direito de
aplaudir.
A língua é mágica e canta o poema
da dor do pobre neste jogo daqui.
A maré de Maria, a maré do mar
alto
e da rua dos pobres que é a rua
da fome.
quinta-feira, 20 de setembro de 2018
Parada em Ventania
Parada em Ventania - contos
Parada em Ventania lembra os livros de ficção
fantástica latino-americana com seus personagens tão sofridos que parecem viver
em uma outra realidade.
É o menino aleijado das pernas que conhece o mundo
só por ouvir a irmã contar e pela passagem irregular do trem. É o menino que
vai embora da roça, despedindo-se do seu bezerro no pasto, durante a noite. É o
menino assistindo ao pai tirar os espinhos do ouriço do cachorro. São as
crianças órfãs que assistem ao pai armando a Árvore de Natal, sofrendo com a
saudade da mãe.
É o marido que encontra a mulher na cama com outro,
que persegue, mata e depois foge, mas encontra na estação ferroviária a vendeta
da mãe desesperada. É a mulher que enlouquece de desejo e solidão, dividida
entre o amor de dois irmãos. São os irmãos que se amam e são castigados pelos
pais que pensam que somente um sofrimento como o de Cristo poderia purgar tal
pecado. É o menino que mata o pai com um martelo para proteger a mãe com quem
dorme e satisfaz seus precoces e primitivos desejos sexuais.
É a mulher que acorda na solidão em que vive
procurando sinal de vida e, como não encontra, julga estar morta. É a cidade
inteira tomada pela lepra, num tempo recordado incrivelmente com dor e saudade.
É o jovem assistindo à primeira morte de sua vida, com sua estranheza como toda
morte, talvez maior do que qualquer morte. É o homem que se suicida pensando
que matara o amigo numa bebedeira, amigo que aparece na igreja durante a missa,
com uma enxó na cabeça, mas muito vivo. É o casal cuidando da prostituta
linchada pelas mulheres da pequena cidade, em sua cruel vingança. É a praga dos
urubus que cobrem o céu da cidadezinha. É a peste que dizima todos os bichos do
lugar e o cachorro do andarilho louco também atacado pela peste.
É a mocinha e seu canarinho encantado como se
vivesse num mundo mágico. São os irmãozinhos que brigam por causa de uma
abelha. É um cavalo encantado nas colinas da lua e o pai do menino que se
encanta também quando busca o cavalo. É o menino que evita que os urubus roubem
a carne-seca com pedradas certeiras de estilingue. É o amor por uma pombinha
aleijada. É o menininho que contempla extasiado um velhinho e um pato nadando
no lago.
É o matador fazendo a sua tocaia e a sua vítima que
luta pela vida. É um cavalo ruim como o diabo e seu dono também ruim. É o homem
que lembra uma vingança cruel de marido traído que assistiu quando criança É o
amor de uma cadelinha feia e uma menininha feia também, e o padre que persegue
a cadelinha, que é mais rápida no gatilho. É uma cena amorosa sobre um túmulo.
sexta-feira, 15 de junho de 2018
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
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