terça-feira, 17 de setembro de 2019

O PAÍS IMPOSSÍVEL



Conheça o novo livro de José C. Brandão. Poema de um tempo duro. Só a poesia para iluminar este

tempo sombrio. A estrada é nossa. Caminhemos juntos.

                 
                  https://pt.calameo.com/read/00252060501625dbc7c89

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Réquiem para Mariele


Réquiem para Marielle


Andei pela cidade e não vi nenhum ornitorrinco
viver como um homem comum era o meu delírio
todos os números são irracionais
os homens também
uma favelada morreu com nove tiros
e ainda está cantando na tribuna
a terceira guerra mundial mata primeiro os pobres
uma criança sangra em cada esquina
Marielle morreu exatamente às cinco da tarde
agora descansa em paz
mas a lápide é seca e pesa demais







domingo, 18 de agosto de 2019

A semente






Tenho uma semente na unha.
Não posso tirar,
senão a flor não nasce,
senão o beija-flor desequilibra sua dança.


Gregório Vaz



sábado, 20 de julho de 2019

Este país não tem povo

                                                                                                                                                        foto: Barbara Klemm 





Este país não tem povo



Este país não tem povo, tem público,
disse Lima Barreto, mas ninguém aplaudiu.
Ninguém aplaudiu Lima Barreto: é um negro
e pobre de marré, de marré deci.
Ninguém é pobre como o pobre daqui.
Seremos sempre pobres? Pobres como a fome
que vão e vêm de todos os países.
Neste país os pobres são combatidos
e se defende o direito de propriedade.
Os direitos do povo são tortos,
é um público e tem o direito de aplaudir.
A língua é mágica e canta o poema
da dor do pobre neste jogo daqui.
A maré de Maria, a maré do mar alto
e da rua dos pobres que é a rua da fome. 





quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Parada em Ventania

Parada em Ventania - contos


https://www.amazon.com.br/Parada-em-Ventania-Jos%C3%A9-Brand%C3%A3o-ebook/dp/B07HFDBHDR?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&crid=2GDZG6VWTUUPF&keywords=jose+brandao&qid=1537281477&sprefix=jose+brandao%2Caps%2C265&sr=8-2&ref=sr_1_2




Parada em Ventania lembra os livros de ficção fantástica latino-americana com seus personagens tão sofridos que parecem viver em uma outra realidade.
É o menino aleijado das pernas que conhece o mundo só por ouvir a irmã contar e pela passagem irregular do trem. É o menino que vai embora da roça, despedindo-se do seu bezerro no pasto, durante a noite. É o menino assistindo ao pai tirar os espinhos do ouriço do cachorro. São as crianças órfãs que assistem ao pai armando a Árvore de Natal, sofrendo com a saudade da mãe.
É o marido que encontra a mulher na cama com outro, que persegue, mata e depois foge, mas encontra na estação ferroviária a vendeta da mãe desesperada. É a mulher que enlouquece de desejo e solidão, dividida entre o amor de dois irmãos. São os irmãos que se amam e são castigados pelos pais que pensam que somente um sofrimento como o de Cristo poderia purgar tal pecado. É o menino que mata o pai com um martelo para proteger a mãe com quem dorme e satisfaz seus precoces e primitivos desejos sexuais.
É a mulher que acorda na solidão em que vive procurando sinal de vida e, como não encontra, julga estar morta. É a cidade inteira tomada pela lepra, num tempo recordado incrivelmente com dor e saudade. É o jovem assistindo à primeira morte de sua vida, com sua estranheza como toda morte, talvez maior do que qualquer morte. É o homem que se suicida pensando que matara o amigo numa bebedeira, amigo que aparece na igreja durante a missa, com uma enxó na cabeça, mas muito vivo. É o casal cuidando da prostituta linchada pelas mulheres da pequena cidade, em sua cruel vingança. É a praga dos urubus que cobrem o céu da cidadezinha. É a peste que dizima todos os bichos do lugar e o cachorro do andarilho louco também atacado pela peste.
É a mocinha e seu canarinho encantado como se vivesse num mundo mágico. São os irmãozinhos que brigam por causa de uma abelha. É um cavalo encantado nas colinas da lua e o pai do menino que se encanta também quando busca o cavalo. É o menino que evita que os urubus roubem a carne-seca com pedradas certeiras de estilingue. É o amor por uma pombinha aleijada. É o menininho que contempla extasiado um velhinho e um pato nadando no lago.
É o matador fazendo a sua tocaia e a sua vítima que luta pela vida. É um cavalo ruim como o diabo e seu dono também ruim. É o homem que lembra uma vingança cruel de marido traído que assistiu quando criança É o amor de uma cadelinha feia e uma menininha feia também, e o padre que persegue a cadelinha, que é mais rápida no gatilho. É uma cena amorosa sobre um túmulo.






quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

LIÇÃO DE CASA

                                                                                                                                                    Pablo Picasso




LIÇÃO DE CASA


Poesia não é histeria
minha senhora







Visualizações de páginas da semana passada